Pode-se ler nos melhores livros de história das artes que o genial Leonardo Da Vinci era muito mal falado na sua época, as pessoas diziam dele que era agressivo, arrogante, muitas vezes intratável por conta de seu temperamento forte, mas seus amigos retrucavam que eram os invejosos que espalhavam boatos e que o viam assim. O mesmo se dizia sobre outro gênio da humanidade, Michelangelo, fama de brigão, temperamental, instável no seu humor de quem até os cardeais tinham certo receio. Mas consta que eram também os invejosos que, desagradados por sua genialidade, cuidavam de espalhar coisas miúdas a seu respeito para diminuí-lo e assim aplacar um pouco a inveja que sentiam. Pergunto a você, leitor? Onde estão os que falavam mal de Leonardo Da Vinci e Michelangelo? Quem foram esses que se especializaram em semear ressentimentos contra eles? Ficaram na história da humanidade ou apenas as meras noticias de suas invejas sobrevivem como curiosidades nos livros de história da arte? Mesmo que tudo isso fosse verdade o que nos ficou foram as maravilhas produzidas pelas mentes e mãos desses gênios que até tinham o direito de ser como seus invejosos inimigos diziam que eram. Afinal, eles deixaram para o desfrute eterno da humanidade o produto do que tinham de melhor, não seus temperamentos instáveis e suas irrascibilidades. Algo estranho faz com que os homens divulguem o pior dos outros, por que será? A natureza humana parece que não muda nunca, é absolutamente previsível e infelizmente nem tudo no bicho homem são sentimentos de grandeza, convivemos com os pequenos homens e os conteúdos mesquinhos que vão armazenando nos corações vida afora, seus ressentimentos. De todos eles o pior é a inveja, um dos sete pecados capitais para os católicos e o mais maléfico para quem o carrega na cabeça e no coração, ensina a psicologia. Surgiu no mundo através de Caim, enfurecido de inveja de seu irmão Abel. Foi o primeiro invejoso, mas há outros famosos como o músico e maestro Salieri que se roeu e definhou a cada nova partitura de seu desafeto genial chamado Mozart que ele considerava um cretino. Como é que um menino levado e produtivo podia, com as mesmas sete notas musicais, criar obras celestiais enquanto ele, Salieri, vivido e experimentado, produzia apenas convencionalismos musicais medíocres? Invejosos sempre existiram e eles cuidam bem da agressão a seus alvos com palavras que foram se modificando no decorrer da história como: boêmio, cachaceiro, drogado, esquizofrênico, maconheiro, preto, bicha, etc... – precisam desqualificar seu objeto de inveja para sentirem-se alguém. Um famoso escritor brasileiro quando leu pela primeira vez os originais do genial Grande Sertão, Veredas, do Guimarães Rosa disse que era uma porcaria que nem merecia ser publicada. Anos depois do sucesso do livro ele ainda não tinha digerido a inveja que sentiu de Rosa. Não cito seu nome de propósito pra não lhe dar a chance de ser relembrado. Era um ressentido. Os tratados de psicologia sabem que o invejoso deseja mesmo é ser seu objeto de inveja, mas como isso é impossível ele quer que o outro não produza nada que possa ser comparado consigo para não ampliar ainda mais o fosso que os separa. Invejoso não vive, gravita em torno de si mesmo e seus minúsculos sentimentos, mas, principalmente gravita em torno de quem inveja. Amam o que invejam. Há uma lógica doentinha, invertida e aleijada usada por invejosos: “Se eu não consigo ninguém mais pode conseguir”. Não atinam que o ressentimento faz mal ao próprio ressentido. Mesmo que os curandeiros digam que ressentidos e invejosos não se curam nem com água benta, nem com pó de hóstia, acho que vale a pena tentar amenizar ressentimentos e inveja tomando chá de jurubeba pra equilibrar o fígado e aceitar conformadamente que serão sempre coadjuvantes, nunca protagonistas e tomar consciência de suas utilidades no mundo. Afinal de contas, Michelangelo e Da Vinci devem ter se sentido muito incentivados pela inveja e ressentimentos de seus detratores porque continuaram criando obras transcendentais enquanto os outros nadavam em bílis.                   O povo da área cultural conhece bem o tema. Sem inveja a vida fica mais alegre. _________________________________________________________________  

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