Prometi aos leitores do blog postar extratos do grande livro O HOMEM MEDIOCRE do escritor argentino José Ingenieros que, de maneira profunda e aguda, fotografa a alma deste homenzinho que hoje é maioria no mundo tornando tudo estreito, falso, vulgar, feio.O medíocre, mero esboço de homem, instalou uma ditadura do gosto médio que acinzenta os mais recônditos comportamentos humanos e borra a arte, a literatura, as ciências, a amizade e o amor.

                                   _________________________________________

 

“O homem medíocre não tem ideais e faz da arte um ofício, da ciência um comércio, da filosofia um instrumento, da virtude uma empresa, da caridade uma festa, do prazer um sensualismo. O contágio mental flutua na atmosfera e acossa por todas as partes; nunca se viu um estúpido tornar-se original por contato, mas é freqüente ver um gênio apagar-se entre simplórios.

É mais contagiosa a mediocridade do que o talento.                                                          

Os rotineiros raciocinam com a lógica dos outros. Carecem de bom gosto e de aptidão para adquiri-lo. Se o humilde guia do museu não os detivesse com insistência, passariam indiferentes pela Madona de Fra Angélico ou por um retrato de Rembrandt; lá fora, ficariam encantados diante de qualquer vitrine com quadros de toureiros espanhóis ou generais americanos. Ignoram que o homem vale pelo seu saber;  negam que a cultura é a mais profunda fonte da virtude. Suas pupilas se deslizam frivolamente sobre livros absurdos; gostam dos mais superficiais, desses que uma mente lúcida nada poderia aproveitar, embora pareçam bastante profundos para atrair o simplório.

Engolem sem digerir até a indigestão mental; ignoram que o homem não vive do que engole, mas do que assimila. A indigestão excessiva pode converter um medíocre em erudito e a repetição pode formar hábitos de ruminante. Mas, empilhar dados não é aprender, engolir não é digerir.

Medíocres são prosaicos. Não têm anseio de perfeição: a ausência de ideais não permite acrescentar em seus atos a pitada de sal que poetiza a vida.

Estão saturados de idiotice humana.”

Sobre o Blog

Leia o Artigo Zero e conheça Marcos Fayad e a proposta do blog Pensar Não Dói.

Siga o Marcos Fayad

 

Arquivo de Posts

 

 


2011. Pensar Não Dói - Blog do ator e diretor Marcos Fayad. Reprodução permitida desde que citada a fonte.
contato@pensarnaodoi.com.br