Continuo a série de textos extraídos do estudo sobre O Homem Medíocre, livro do escritor argentino José Ingenieros  que podem nos fazer compreender melhor este homem que ocupa quase todos os espaços e que se reproduz com uma velocidade enorme tornando tudo ao seu redor amesquinhado e pequeno como sua mente limitada.

                                              **********************************

Homens medíocres quando se juntam são perigosos. A força do número supre a debilidade individual: associam-se aos milhares para oprimir os que se negam a alinhar-se à rotina. A mediocridade é moralmente perigosa e seu conjunto é nocivo em certos momentos da história.Apesar de não merecerem atenção quando estão isolados, em conjunto constituem um regime, representam um sistema especial de interesses inalteráveis. Invertem o quadro de valores morais, falsificando nomes, desvirtuando conceitos: pensar é um desvario, a dignidade é irreverência, é lirismo a justiça, a sinceridade é bobagem, a admiração, uma imprudência, a paixão, ingenuidade, a virtude, uma estupidez. 


Na luta das conveniências presentes contra os ideais futuros, do vulgar contra o excelente, é comum ver o elogio do subalterno misturado com a difamação do respeitável.                  

Os dogmáticos e os servis afiam seus silogismos para falsear os valores na consciência social; vivem na mentira, nutrem-se dela, semeiam-na, regam-na, podam-na, colhem-na. Assim criam um mundo de valores fictícios que favorece a culminação dos obtusos; assim tecem sua teia de aranha surda ao redor dos gênios, dos santos e dos heróis, impedindo a admiração da glória. Fecham o curral a cada vez que vibra nos arredores o voo inequívoco de uma águia.                                                                                                           

Nenhum idealismo é respeitado. Se um filósofo estuda a verdade precisa lutar contra os dogmáticos mumificados; se um santo persegue a virtude se estilhaça contra os preconceitos morais do homem acomodatício; se o artista sonha novas formas, ritmos ou harmonias, as regulamentações oficiais da beleza cerram o seu passo; se o enamorado quer amar escutando seu coração, choca-se contra a hipocrisia do convencionalismo; se um impulso juvenil de energia quer inventar, criar, regenerar, a velhice conservadora corta seu passo; se alguém, com gesto decisivo, ensina a dignidade, a multidão dos servis grita; os invejosos corroem a reputação dos que seguem o caminho das montanhas com furor malévolo; se o destino chama um gênio, um santo ou um herói para reconstituir uma raça ou um povo, a mediocracia tacitamente organizada resiste para escolher seus arquétipos.                                                                                                                             A vulgaridade é o reflexo da mediocridade.

Sobre o Blog

Leia o Artigo Zero e conheça Marcos Fayad e a proposta do blog Pensar Não Dói.

Siga o Marcos Fayad

 

Arquivo de Posts

 

 


2011. Pensar Não Dói - Blog do ator e diretor Marcos Fayad. Reprodução permitida desde que citada a fonte.
contato@pensarnaodoi.com.br