Começo aqui uma série de textos extraídos do estudo sobre O Homem Medíocre, livro do escritor argentino José Ingenieros. A cada 15 dias vou postando os melhores extratos que podem nos fazer compreender melhor este homem que ocupa quase todos os espaços e que se reproduz com uma velocidade enorme tornando tudo ao seu redor amesquinhado e pequeno como sua mente limitada. 

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O homem medíocre é uma sombra projetada pela sociedade; é essencialmente imitador e está perfeitamente adaptado pra viver em rebanho, refletindo as rotinas, preconceitos e dogmatismos reconhecidamente úteis para a domesticidade.

Assim como o inferior herda a "alma da espécie", o medíocre adquire a "alma da sociedade". Sua característica é imitar todos os que o rodeiam: pensar com a cabeça alheia e ser incapaz de formar ideais próprios.

Todos os homens de personalidade firme e de mente criadora, seja qual for sua escola filosófica ou seu credo literário, são hostis à mediocridade. O medíocre não inventa nada, não cria, não empurra, não rompe, não engendra.

A psicologia dos homens medíocres se caracteriza por um risco comum: a incapacidade de conceber uma perfeição, de formar um ideal. São rotineiros, honestos e mansos; pensam com a cabeça dos outros, compartilham a hipocrisia moral alheia e ajustam seu caráter à domesticidade convencional.

Estão fora de sua órbita a genialidade, a virtude e a dignidade, privilégios do caráter excelente.

São cegos para a aurora; ignoram a quimera do artista. Condenados a vegetar, não suspeitam que existe o infinito além de seus horizontes. 

O horror do desconhecido ata-os a mil preconceitos, tornando-os covardes e indecisos: nada pica sua curiosidade; carecem de iniciativa e olham sempre o passado, como se tivessem olhos na nuca.

Medíocres não vibram conforme as tensões mais altas da energia. Não sabem estremecer de arrepio com uma suave carícia, nem se lançar de indignação ante uma ofensa.

Trocam sua honra por uma homenagem.

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