02
JAN

Muitos dos artigos que serão publicados aqui foram censurados. 

Como sou remanescente dos anos da ditadura militar que subjugou o Brasil fui muito censurado nos textos que escolhia pra encenar no teatro e depois censurado de novo no resultado dos textos, isto é, nos espetáculos prontos. Sempre havia um censor de plantão que decidia o que se podia ou não podia falar nos palcos. E obedecíamos porque tínhamos juízo.

Não evoluímos nada neste aspecto, artigos e pensamentos continuam sendo censurados, cerceados, mas hoje a democracia tucanou a palavra censura porque não pega bem repetir hábitos que vivemos por mais de 20 anos e que os jornais de hoje juram ter combatido porque eles também eram censurados pelos militares. Mentira. Aprenderam direitinho o jogo e hoje são os censores com nomes mais pomposos – claro, fica melhor mudar o nome da coisa sendo a coisa a mesma coisa. A justificativa pra que meus artigos censurados não fossem publicados foi sempre a mesma: “não estavam dentro da linha editorial do veiculo jornalístico”. Simples assim o primor desta frase e definitiva, contra ela não adianta argumentar - mesmo que eu assinasse o que escrevia e me responsabilizasse pelo meu pensamento escrito. Os militares trogloditas eram mais diretos, ousavam dizer a palavra certa pra coisa certa. 

Botando os pingos nos ii: quando um homem é impedido de tornar público o que pensa isso se chama sempre censura e não há meio termo. 

Preferi não enviar mais artigos que pusessem em risco os empregos dos editores e os tornavam por alguns minutos descendentes diretos dos obedientes zumbis da ditadura. Os jornais não podem se arriscar a perder seus ricos patrocínios vindos do governo que os sustentam com sua publicidade, ou melhor, que os compram anunciando neles. Por isso, nada que possa desgostar alguém do poder ou das grandes empresas patrocinadoras será publicado – agradar aos governos que patrocinam é o que hoje chamam de “não estão dentro da linha editorial.” Não faço idéia a quem os editores pensam que enganam. 

Mas, sem dúvidas: censura econômica é ainda mais cruel que a censura militar porque naquela não se era obrigado a elogiar sempre o censor – na de hoje sim, o governo tem de ser sempre preservado, paparicado e tem sempre razão.
Sugiro aos leitores do blog que brinquem de exercitar a adivinhação dos artigos que passaram por esse vexame “democrático” dos jornais na medida em que eles forem sendo publicados aqui onde não há censura e meu chefe, meu editor, meu empregador sou eu mesmo. 

Os primeiros 6 (seis) artigos são publicados juntos durante duas semanas a partir do momento em que o blog entrar na rede porque pretendem ser uma amostra do que se vai ler a partir daí quando o blog for acessado a cada semana.
Pretendo acrescentar um artigo novo por semana, sempre aos sábados.

Mas no blog também serão postadas quaisquer outras coisas que eu goste como vídeos de cenas musicais, animações, lugares interessantes por onde viajar, trechos de peças teatrais ou extratos de literatura de autores que li, fotos e outros links...

Enfim, um blog é um pequeno espaço livre onde um homem que pensa pode ser ele mesmo sem interferência de nada nem ninguém. Se alguém não gostar do que ler vai ter espaço pra demonstrar seu desagrado. Pra quem gostar vale o mesmo espaço. O importante dele será poder pensar através dos temas deflagrados por mim – e descobrirmos juntos que pensar não dói.

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