10
NOV

Músicos de rua em Amsterdam/Holanda. Uma foto, pra mim, comovente.

09
NOV

Um espetáculo do coreógrafo japonês USHIO AMAGATSU impregnado de beleza e conteúdo

ushio amagatsu from Vincent Barthélemy on Vimeo.

 


Walt Whitman  é considerado pela crítica mundial como o maior e o mais importante poeta da literatura norte americana.

Morreu com 72 anos.

Seu livro mais importante FOLHAS DE RELVA foi lançado há mais de 150 anos e tem uma energia tão universal que seus poemas são cada vez mais assimilados por diferentes culturas.

Seus leitores hoje são considerados devotos e fazem comunidades no mundo inteiro e em torno dele se criou a whitmania.

Chamado de o poeta da liberdade, da democracia, do homem, em toda a sua vida fez apologia do corpo humano como a fonte suprema de prazer.

Em FOLHAS DE RELVA ele assume publicamente sua bissexualidade e até escreve poemas sobre seu companheiro de uma vida inteira chamado Warry.

Foi muito criticado e combatido pelos eternos moralistas de plantão e chamado mesmo de pornógrafo. Mas suas atitudes e seus poemas influenciaram pessoas como Fernando Pessoa, Garcia Lorca , Pablo Neruda e muitos outros pelo mundo afora. Um crítico Robert Strasburg, professor emérito de música da Universidade Estadual da Califórnia disse dele:

No século XXI Whitman será mundialmente conhecido como Shakespeare ou Beethoven.

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Um novo e pouco conhecido poema do Walt Whitman.                                                       
Um dos mais belos poemas de amor que já li:


Quando ouvi, pelo fim do dia, como o meu nome havia sido
recebido com aplausos no Capitólio, ainda assim não foi
feliz para mim, a noite que se seguiu;
E, quando festejei, ou, quando os meus planos foram atingidos,
assim mesmo não me senti feliz;
Mas, no dia em que me levantei cedo, em perfeita saúde,
renovado, cantando, inalando o maduro fôlego outonal,
Quando vi a lua cheia, a oeste, ficando pálida e a desaparecer
na luz da manhã,
Quando vagueei sozinho sobre a praia e, despindo-me, me banhei,
rindo com as águas frias, e vi o sol nascer,
E quando pensei em como o meu querido amigo, o meu amante, estava a caminho, Oh, então senti-me feliz;
Então, cada fôlego me foi mais doce – e todo o dia, meu alimento
me nutriu mais – e o belo dia passou bem
E o seguinte chegou com igual alegria – e com o próximo, pelo fim da tarde,
chegou o meu amigo;
Naquela noite, quando tudo estava calmo, ouvi as águas rolar
continuamente, lentas sobre as margens,
Ouvi o assobio sussurrado do líquido e das areias, como que dirigindo-se

a  mim, cochichando, felicitando-me, 'porque aquele que eu mais amo dormia a meu lado sob a mesma manta na noite fria,  na quietude daquele luar de outono o seu rosto estava inclinado para mim e o seu braço repousava levemente sobre o meu peito - e nessa noite eu fui feliz.'


Chavela Vargas - era uma cantora/entidade mexicana que morreu recentemente (2012) e que me emocionou durante muitos anos, emociona ainda hoje porque a ouço freqüentemente. Tinha 93 anos quando se cansou e decidiu partir. Antes teve um encontro espiritual e musical com Federico Garcia Lorca que lhe apareceu uma noite e lhe pediu que gravasse seus poemas antes de ir ao seu encontro.                                     

Ela gravou LA LUNA GRANDE recitando os poemas de Lorca de que mais gostava.

Quis que ela estivesse no meu blog entre as coisas que mais gosto.E cantando esta canção. 

Difícil foi escolher a canção entre centenas. 

Canción De Las Simples Cosas

Uno se despide insensiblemente de pequeñas cosas,
Lo mismo que un árbol en tiempos de otoño muere por sus hojas.
Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas,
Esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón.

Uno vuelve siempre a los viejos sitios en que amó la vida,
Y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas.
Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

Demorate aquí, en la luz mayor de este mediodía,
Donde encontrarás con el pan al sol la mesa servida.

Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

Num blog, qualquer blog, sobre Portugal poderia faltar Fernando Pessoa?                                                                

Tudo dele, mas tenho que escolher e escolho este:

"Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,

 Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.

Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,

Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,

E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.

Sentir tudo de todas as maneiras,

Viver tudo de todos os lados,

Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,

Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos

Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.

Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,

Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,

Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,

Seja uma flor ou uma ideia abstrata,

Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.

E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.

São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,

E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,

Porque ser inferior é diferente de ser superior,

E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.

Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,

E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,

E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,

E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.

Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,

Basta que ela exista para que tenha razão de ser.

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A pintora Paula Rego nasceu a 26 de Janeiro de 1935,em Lisboa. Estudou e atualmente vive em Londres e talvez seja mais londrina que lisboense e o que me interessa na pintura dela é o vigor da figura humana muito influenciada por Lucien Freud de quem é assumidamente admiradora, como eu.  A fase de sua pintura que mais gosto é a série de pinturas a pastel intitulada Mulher-Cão, que revela uma galeria de mulheres fortemente simbólicas, representadas sozinhas, mas aparentemente escravizadas a algum parceiro ausente ou imaginário. Vive em Londres, mas sua alma é portuguesa. 

Posto duas fotos da obra dela.

Sem Legenda. Apenas a pintura da portuguesa/londrina Paula Rego


Em 1998 fomos, os artistas da Cia Teatral Martim Cererê, convidados como representantes do Brasil para abrir o FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica) na cidade do Porto. O espetáculo era um dos que mais amamos fazer: NA CARREIRA DO DIVINO do dramaturgo paulista Carlos Alberto Sofreddini e era a primeira vez que a Companhia saía do Brasil, todos estávamos muito entusiasmados.

Só quando entramos no Teatro Nacional São João, esta preciosidade que se vê na fotografia, caiu a ficha. Trememos. A obra falava de uma família de camponeses em busca de um canto de terra onde pudesse viver e em contraste com a maravilha deste teatro causou enorme comoção.  Atores costumam guardar muitas memórias de seus percursos por palcos do mundo. A minha memória deste lugar é, ainda hoje, emocionante. Foi com este teatro lotado e os aplausos comovidos do público que a cidade do Porto se revelou pra mim. 

Depois voltei a ele com outros seis espetáculos diferentes e a cada vez a mesma sensação de estar representando dentro de uma obra de arte incomparável.

 

António Zambujo é um jovem cantor que canta fados com muita propriedade porque cresceu ouvindo Amália Rodrigues, Carlos do Carmo e tantos...É também ator de teatro, participou durante quatro anos do musical AMÁLIA. Adora a música brasileira e gravou canções como   A Deusa da Minha Rua e Poema dos Olhos da Amada do Vinicius de Morais.                   

Todos os CDs dele podem ser encontrados na internet. No Brasil tem admiradores como Ney Matogrosso, Caetano Veloso e já gravou uma canção com Vanessa da Mata.         

Pra mim é um dos melhores cantores portugueses. E Portugal tem muitos.

Escolhi o vídeo com o fado mais conhecido.

Um cálice de vinho tinto faz o fado ficar ainda mais bonito.

 

Walt Whitman (1819 - 1892) é meu poeta preferido.                              

Bissexual assumido no século 19, Walt Whitman revelou suas
preferências sexuais em "Folhas da Relva", um de seus livros mais
famosos. Por isso, foi muito criticado e combatido, até considerado
pornográfico. “Ele foi o primeiro autor a escrever objetivamente sobre os prazeres da carne”: “Eu acredito na carne e nos apetites”.

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Hei de mostrar macho e fêmea como iguais um do outro.

 Como um Deus meu adorável parceiro dorme a meu lado a noite toda e me agarra ao raiar do dia...depois vadia na relva comigo...solta o nó da garganta...nada de palavras, música, nem rima alguma estou querendo...nem bons costumes ou sermões por melhor que sejam.

Eu gosto, eu só quero sua calma, o murmúrio da sua voz valvulada.

Eu me lembro bem de quando uma vez nos espichamos deitados

certa manhã

e de como ele forçou a cabeça nos meus quadris e gentilmente

se virou pra mim e me rasgou a camisa no osso do peito

e enfiou a língua em meu coração nu

e foi assim até tocar a minha barba e me tocar os pés.

Docemente cresceu e em torno de mim se espalhou a paz

e o conhecimento além de todo argumento da terra.

E eu soube que a mão de Deus é a promessa da minha

E soube que o espírito de Deus é irmão do meu

E que o amor é a centelha e o esteio da criação.

Sou como o mar

sou parceiro do influxo e do refluxo...

o poeta exaltador dos amigos e daqueles que dormem nos braços um do outro.

Que papo é esse de vício e virtude?

Estes são realmente os pensamentos de todos os homens em

qualquer tempo e lugar, não são originais meus,

e se eles não são de vocês tanto quanto são meus não querem dizer nada

ou quase nada

e se não são a pergunta e a resposta à pergunta, não significam nada,

e se eles não se colocam tão perto quanto distantes parecem

não valem nada.

O que é um homem, enfim?

O que eu sou? O que são vocês?

O amor de um corpo de homem ou de mulher passa da conta,

os corpos mesmos passam da conta,

o do macho é perfeito e o da fêmea é perfeito.

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